Pois bem, como esta é uma área que me interessa bastante e com a qual trabalho todos os dias quero partilhar com os meus leitores as guidelines mais actualizadas de suporte básico de vida utilizadas em Portugal, em consonância com o ERC (European Resuscitation Council) e com o CPR (Conselho Português de Ressuscitação). O seguinte texto e imagens foram copiados do manual "European Resuscitation Council Guidelines for Resuscitation 2010".
Suporte Básico de Vida
1. Assegurar que a vítima e os presentes estão em segurança
2. Verificar se a vítima responde:
• Abanar suavemente os ombros e perguntar em voz alta –
Sente-se bem?
3a. Se responde:
• Deixar a vítima na posição em que está, desde que não
fique em maior risco
• Tentar perceber o que se passa com a vítima e pedir ajuda
se necessário
• Reavaliá-la regularmente
3b. Se não responde:
• Gritar por ajuda
– Virar a vítima de costas e abrir a boca com extensão do
pescoço e elevação do queixo
– Colocar a mão na testa e inclinar suavemente a cabeça
para trás
– Com a ponta dos dedos segurar a ponta do queixo da
vítima elevando-a para abrir a via aérea.
4. Com a via aérea permeável ver, ouvir e sentir se a vítima

respira
• Ver se há movimentos torácicos
• Ouvir se da boca da vítima vêm sons respiratórios
• Sentir, com a face, se há sopro de ar vindo da vítima;
• Concluir se a respiração é normal, anormal ou ausente
Nos primeiros minutos a seguir à PCR a vítima pode fazer movimentos
respiratórios em esforço ou inspirações ocasionais,
lentas e ruidosas. Não confundir esta respiração agónica com
respiração normal. Ver ouvir e sentir até 10 segundos para avaliar
se a vítima tem respiração normal. Se há dúvidas se a respiração
é normal ou não, proceder como se não fosse.
5a. Se a respiração é normal:
• Colocar a vítima em posição lateral de segurança (PLS)
• Ir ou mandar buscar ajuda – ligar 112 ou o número de emergência
local e pedir uma ambulância
• Continuar a monitorizar se a respiração é normal
5b. Se a respiração não é normal ou está ausente
• Mandar alguém buscar ajuda; ou utilizar o telemóvel LIGAR 112
– só deixar a vítima se não existir mais nenhuma opção
• Iniciar compressões torácicas da seguinte forma:
– Ajoelhar ao lado da vítima
– Colocar a base de uma das mãos no centro do tórax da vítima; (na metade inferior do osso do meio do tórax -esterno)
– Colocar a base da outra mão sobre a primeira;
– Entrelaçar os dedos das mãos e assegurar que as compressões
não são feitas sobre as costelas das vítimas.
Manter os braços esticados. Não fazer nenhuma pressão
sobre o abdómen superior nem sobre a extremidade inferior
do osso do esterno (apêndice xifóide);
– Colocar-se na vertical em relação ao tórax da vítima e
pressionar o esterno para o deprimir pelo menos 5cm
(sem exceder 6cm);
– Depois de cada compressão, aliviar a pressão sobre o
tórax, sem perder o contacto da mão com o esterno da
vítima; repetir com uma frequência de 100 min-1 (sem exceder
120min-1)
– O tempo de compressão e relaxamento devem ser iguais
6a. Combinar compressões torácicas com ventilações
• Depois de 30 compressões torácicas abrir de novo a via
aérea, inclinar a cabeça e elevar o queixo
• Colocar a palma da mão na testa da vítima e com o indicador
e polegar pinçar e ocluir o nariz
• Manter o queixo elevado e a boca aberta
• Fazer uma inspiração normal, selar bem os lábios em torno
da boca da vítima
• Soprar progressivamente para dentro da boca da vítima, durante
1 segundo como numa respiração normal, verificando
se o tórax se eleva; o que no seu conjunto constitui uma
respiração eficaz
• Manter a inclinação da cabeça e o queixo elevado, afastar a
boca da vítima e verificar o tórax a retrair à medida que o ar sai
• Fazer outra inspiração normal e voltar a soprar para dentro
da boca da vítima para fazer duas ventilações eficazes.
As duas ventilações não devem demorar, no total, mais de
5 segundos. Recolocar, sem demora, as mãos na posição
correcta sobre o esterno e fazer mais 30 compressões torácicas.
• Manter compressões torácicas e ventilações eficazes numa
relação de 30:2.
• Só parar, para reavaliar a vítima, se esta revelar sinais de
despertar: mexer, abrir os olhos, e respirar normalmente. Se
não for este o caso não interromper a reanimação.
Se a insuflação de ar não fez subir o tórax como numa inspiração
normal, antes de voltar a tentar:
• Ver se há algum obstáculo na boca da vítima e removê-lo
• Reconfirmar a inclinação da cabeça e a tracção do queixo
• Não fazer mais de duas tentativas de ventilação antes de
retomar as compressões torácicas
Se há mais do que um reanimador, devem trocar de posições no
SBV cada 2min, para prevenir o cansaço
Assegurar que o tempo de interrupção para a troca de reanimadores
é mínimo.
Com estes pequenos GRANDES gestos pode estar a diferença entre a vida e a morte, "a emergência médica começa em si...." (Slogan do INEM)
Faça o download do PDF sobre as guidelines 2010 carregando aqui!